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Avaliação Transdisciplinar da Visão I


Slide 1. (Video)

(Video demonstrando a colaboração entre um professor de Educação Especial e um Oftalmologista para avaliar uma criança com o Sindroma de Down.)

Esta sequência de vídeo retrata a avaliação da acuidade visual de uma criança num esforço de colaboração entre uma Educadora de Infância e um Oftalmologista. A criança aceita a sua Educadora como uma parceira no jogo para o diagnóstico da situação. O Oftalmologista observa as respostas da criança. No final da sequência a criança assinala “bom” como um sinal de orgulho no seu desempenho no jogo. Esta sequência de vídeo foi utilizada para documentar a avaliação da criança e é um dos numerosos vídeos que têm sido analisados por equipas multidisciplinares em países europeus onde estão a ser desenvolvidas estas técnicas de avaliação Transdisciplinar.


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Slide 2B.

A avaliação da visão para a intervenção precoce e educação é um trabalho Transdisciplinar que pressupõe especialistas médicos, psicólogos e de educação. Quando o exame das funções visuais é difícil, professores e terapeutas precisam de treinar a criança e muitas vezes testá-la, com ou sem ajuda de um Oftalmologista.


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Como as crianças com deficiência visual estão integradas em escolas, um grande número de médicos, terapeutas, professores e psicólogos precisam de uma maior formação especializada na avaliação da visão em Educação Especial. Para que seja possível uma verdadeira inclusão cada criança deve ter uma equipa local constituída por pessoas treinadas em intervenção precoce e educação especial para crianças com deficiência visual.

A nova Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF) (International Classification of Functioning, Disability and Health ICF), dá ênfase à avaliação do desempenho funcional, actividades e participação. Este tipo de avaliação requer uma boa cooperação entre peritos médicos e de educação.

O aumento do número de crianças com multideficiência e a intensificação dos danos cerebrais relacionados com a perda das funções visuais superiores mudou o contexto de avaliação e intervenção. Esta situação complicada da multideficiência é algo que está para ficar. Desta maneira precisamos conhecer os quadros muito variáveis da deficiência visual e os seus efeitos nas actividades dessas crianças.

Pelo menos 70% das crianças deficientes visuais têm outra deficiência ou doença crónica. Muitas crianças têm mais de quatro deficiências diferentes. Nalguns países e nalguns estados dos EU uma criança que seja classificada como multideficiente nem sempre é examinada às deficiências sensoriais porque estas parecem ter menos importância do que a “principal deficiência “. Isto não tem lógica porque o grau de multideficiência seria menor se os problemas sensoriais fossem tidos em conta. Por ex. num grande grupo de crianças com Síndrome de Down as defiências visuais e auditivas são muito mais frequentes do que na população em geral com a mesma idade. Também as crianças com problemas motores visiveís têm maior probabilidade de ter problemas visuais “escondidos”. Estes problemas estão “escondidos” porque as crianças com problemas motores não são avaliadas completamente em relação aos seus problemas funcionais visuais.


Slide 5.
Slide 6.

Na avaliação da baixa visão temos três níveis ou três objectivos:

  • Primeiro, compreender a qualidade da imagem usada pela criança;
  • Segundo, compreender como a criança usa a imagem nas funções visuais cognitivas
  • Terceiro, como é que as alterações na qualidade da imagem e/ou nas funções visuais superiores afectam o desenvolvimento e aprendizagem da criança. A compreensão do tipo de funcionamento visual é essencial para a comunicação e planeamento das estratégias de aprendizagem na educação especial. A avaliação de todos os seus componentes é especialmente importante se a criança estiver integrada numa sala em que o professor tenha pouco tempo para a criança e poucos conhecimentos de educação especial.


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Para compreender melhor a estrutura das imagens visuais, precisamos de reflectir sobre os seus componentes. As imagens visuais contêm 3 tipos de informação:

  • forma
  • cores e
  • movimento.
Também medimos o campo visual, adaptação visual e funções oculomotoras.


Slide 12.

Sendo assim a avaliação também precisa de abranger cada um dos 3 tipos de informação visual. Utilizamos a medição da acuidade visual como a medida da percepção da forma e os testes quantitativos de visão cromática para avaliar a percepção da cor, mas raramente ou nunca se avalia a percepção do movimento. É, no entanto, um componente importante da informação visual porque quase toda a informação está em movimento. Tanto o alvo como o observador se movem. Se ambos estiverem parados, os olhos do observador movimentam-se para percorrer o meio que o rodeia e movem-se com pequenos movimentos sacádicos durante a leitura.

A nossa avaliação clínica mais comum, a medição da acuidade visual deve utilizar testes com desenho logritmico, (como no teste deste slide) tanto para longe como para perto (ICO recomendação 1984, Recomendação da OMS 2003). Porém continuam a ser utilizados testes não estandartizados em muitos países e a acuidade visual registada nos documentos não diz a que distância a avaliação foi feita e se o teste era em linha ou com optotipos isolados. Isto é tão correcto como documentar a altura de uma criança com dois números sem dizer se se referem a cm ou polegadas.


Slide 13.

Na avaliação utilizamos não só os testes clínicos, mas também observações dos comportamentos da criança nas actividades diárias habituais. A utilização dos testes de visão não se restringe aos consultórios dos Oftalmologistas, pelo contrário, o examinar como parte das brincadeiras ou trabalhos da aula permite muitas vezes a medição de funções, meses e até anos antes de tal ser possível fazer num consultório médico. Depois das medições bem sucedidas a interpretação dos resultados requer a consulta de um Oftalmologista.



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Para se ter uma base comum nas discussões de funções visuais iremos observar algumas imagens das vias visuais. Estas imagens são bem conhecidas de todos nós.


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Slide 15B.

Existe, no entanto, um detalhe que poderá ser novo: a via visual desde os olhos até ao córtex visual primário é uma via de dois sentidos na sua parte posterior. Existe um fluxo de informação desde o córtex visual primário (V1) para o corpo geniculado externo (LGN) e o coliculo superior (CS).

Actualmente, a via entre o corpo geniculado externo (LGE) e as áreas visuais no córtex têm muito mais fibras nervosas desde as áreas visuais para LGE do que desde o LGE para o V1. Assim, os processos em curso nas áreas visuais afectam o fluxo de informação proveniente do LGE. Só se dá entrada à informação visual que é necessária ao processo em curso. Esta função inibitória altera a informação que chega, de maneira que vemos só aquilo que esperamos ver.

A informação visual de ambos os olhos é transferida para o córtex visual em fibras nervosas paralelas e fundidas em primeiro lugar no córtex visual primário. A fusão ocorre se a criança usa ambos os olhos e se aprendeu a usá-los em conjunto binocularmente.

Para mais informação vá às vias ópticas.


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A informação visual da metade esquerda da retina em ambos os olhos é transferida para a metade esquerda do cérebro, no hemisfério esquerdo. Do olho esquerdo as fibras vão directamente, do olho direito cruzam na linha média, no quiasma. Das metades direitas da retina a informação é transferida para o hemisfério direito.

Esta imagem representa o facto de que a visão macular, os 10-13 graus centrais ( marcados a vermelho no slide) utiliza quase metade do córtex visual primário. A porção central da imagem visual está hiper-representada nas funções cerebrais. Os 12/13 graus centrais utilizam quase metade de todas as células no córtex visual primário.


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Slide 17B.

Nas vias ópticas existem diferentes tipos de fibras nervosas. Os dois grandes grupos de fibras nervosas são as parvocelulares e as magnocelulares. As fibras magnocelulares transferem a informação das grandes células ganglionares da retina para as grandes células no corpo geniculado externo. Essas fibras são espessas e transferem a informação com grande velocidade. Esta via transporta toda a informação do movimento e é eficiente em transferir a informação de baixo contraste preto e branco. Não transporta informação da cor. No nervo óptico estas fibras espessas representam aproximadamente 10% do total das fibras.


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Slide 18B.

A via magnocelular é dominante na parte tectal das vias visuais que saiem da via retino-calcarina principal antes do corpo geniculado externo, entram no coliculo superior, em muitos núcleos subcorticais e via pulvinar para as funções visuais corticais fazendo um by-pass ao córtex visual primário (V1).

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