Intervalo da Sensibilidade ao Contraste Normal

Entre as pessoas com visão normal, a acuidade visual e a sensibilidade ao contraste têm ambas grandes limites de variação. Na acuidade visual, 20/25 (6/9, 0.8) é um valor normal baixo, os valores normais mais altos são três vezes maiores, 20/8 (6/2.5, 2.5). Do mesmo modo, o intervalo de variação da sensibilidade ao contraste normal é grande. Por isso, um valor dentro do intervalo normal pode ou não significar que, essa pessoa em particular, tem uma sensibilidade ao contraste normal. Se a sensibilidade ao contraste dessa pessoa era alta anteriormente, ela pode diminuir para menos de metade ou um terço do seu valor original e continuar a ser “normal”.

O intervalo de variação da acuidade visual normal (seta horizontal) e da sensibilidade ao contraste (seta vertical) é grande. Se a sensibilidade ao contraste de uma pessoa era anteriormente A e diminuiu depois para A’, o valor ainda pertence ao intervalo normal mas é altamente patológico para esta pessoa.

Uma alteração na sensibilidade ao contraste é a característica importante que será futuramente monitorizada em termos de diagnóstico. Devido às grandes variações nos valores normais, é indispensável ter um valor anterior com que comparar de modo a detectar uma alteração.

Idealmente, a sensibilidade ao contraste e a acuidade visual devem ser medidas quando as crianças terminam a escola secundária ou enquanto são jovens adultos. Estes valores devem ser registados e guardados como parte da informação básica sobre a saúde de cada pessoa. Uma alteração requer que sejam efectuados exames para descobrir a causa. Apesar da causa mais comum ser uma pequena alteração no poder refractivo do olho, que é um achado benigno, a repetição das medições da sensibilidade ao contraste seria benéfica, como parte de exames de saúde de rotina, para despistar alterações nas vias visuais.

Medir a sensibilidade ao contraste também ajuda a perceber melhor as queixas, de uma pessoa cuja acuidade visual com alto contraste não se alterou, mas em quem a visão, com baixos níveis de contraste, diminuiu. Assim não a aborreceríamos ao dizer-lhe que a sua visão está tão boa como antes, uma situação que, neste momento, é vivida por muitos doentes/clientes.

Se as actividades ocupacionais requerem uma boa função visual com níveis baixos de contraste, a acuidade visual, apenas, não selecciona as pessoas mais indicadas, para essa tarefa em particular. Por exemplo, se a tarefa for detectar aviões, que se aproximam por entre nuvens baixas, estes aviões são vistos mais facilmente por uma pessoa com boa acuidade visual no intervalo de contraste de 1-5%. Como a inclinação da linha é variável, mesmo em indivíduos normais, é possível que uma pessoa com uma acuidade visual mais baixa, com contrastes altos, tenha uma função visual melhor com níveis de contraste mais baixos, do que uma pessoa com uma acuidade visual mais alta, com contrastes altos. É importante recordar este facto em todas as tarefas ocupacionais que requeiram que a função visual, em baixo contraste, seja excepcionalmente boa.

   

Figura 12. Variação da inclinação da linha em sujeitos normais.

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