EXPRESSÕES DA HEIDI

O jogo Expressões da Heidi (#254505) foi desenvolvido para melhorar a avaliação precoce da visão para a comunicação. Entre as crianças com deficiência visual existem algumas que não conseguem ver expressões e/ou não reconhecem as pessoas pelas suas caras. Estas crianças podem ter resultados quase normais nos testes de visão de rotina (campo visual grande e acuidade visual normal ou quase normal). Outras crianças deficientes visuais podem ter esta dificuldade no reconhecimento visual como parte de perdas mais extensas das funções visuais.

Muitas crianças têm Paralisia Cerebral, que pode ser tão ligeira que não necessite de tratamento especial.

Se as dificuldades da criança não forem conhecidas e compreendidas, o seu comportamento pode causar mal entendidos e experiências negativas desnecessárias nas interacções sociais. Consequentemente, testar a capacidade da criança para ver diferentes expressões faciais é uma parte importante da avaliação funcional da visão.

As crianças deficientes visuais têm dois tipos diferentes de problemas para aprender a reconhecer caras e interpretar expressões faciais:

  1. não vêem as expressões suficientemente bem para as interpretar (= problema na via) ou
  2. têm danos cerebrais na área do reconhecimento facial e então não reconhecem diferenças nas caras das pessoas e também podem ter dificuldades em interpretar expressões (= problema visual cognitivo).
 

É possível observar que tipo de problemas a criança tem durante o jogo com Expressões da Heidi. Nalguns casos a criança pode ter má qualidade da imagem e mau reconhecimento facial.



O jogo teste Expressões da Heidi tem seis expressões básicas diferentes (ver atrás). Cada expressão está em duas cartas exactamente iguais e numa terceira carta que tem um elemento adicional, um laço no cabelo de Heidi. Nesta figura estão os conjuntos de três caras apresentando a Heidi sorridente e a Heidi triste.

Situação de jogo:

O jogo Expressões da Heidi pode ser utilizado desde a idade de 30-36 meses quando se ensina à criança como é a aparência das pessoas quando apresentam as seis expressões básicas descritas nas cartas. Associar as cartas proporciona uma situação natural para discutir as diferentes expressões.

O jogo de associação varia dependendo da idade e nível de comunicação da criança. Primeiro podem observar-se as cartas e discutir as expressões. O observador e a criança podem, eles próprios, fazer a expressão. Com uma criança mais velha é possível reflectir sobre as causas pelas quais a Heidi deve estar alegre, triste, séria ou a chorar.

Durante esta discussão é possível observar se a criança tem que se aproximar muito perto das cartas e da cara do observador para ver as expressões ou se a criança parece ter dificuldades em compreender o conceito das expressões faciais. No último caso a informação táctil pode ser utilizada como informação adicional. Pode acontecer que a criança necessite sentir as características faciais para compreender a expressão e reconhecê-la.

Pode-se combinar o desenho de caras com o jogo Expressões da Heidi. Desenhe o círculo e os olhos e pergunte à criança “Que expressão tem a Heidi desta vez?”. A criança pode desenhar a boca ou as lágrimas, assistida pelo observador quando necessário. Esta é outra forma eficiente de tornar a criança consciente da estrutura das expressões. Ao mesmo tempo isto pode ser utilizado para criar a percepção da figura, tal como para ensinar a criança a compreender como um desenho representa um objecto. As expressões também podem ser criadas utilizando palitos para a boca e botões para os olhos, colados num pequeno prato de papel como uma actividade no jardim-de-infância. As criações da criança podem ser usadas para observar que elementos ela utiliza para o reconhecimento da sua figura.

Quando a criança pareça ter compreendido as seis expressões básicas, podem associar-se as cartas. Primeiro escolhem-se só seis cartas, por exemplo a Heidi sorridente e a Heidi a chorar. Se a criança não tem funções visuais cognitivas para o reconhecimento facial, pode associar as caras com o laço como iguais. Isso tem que ser discutido com a criança, mostrando uma vez mais na cara do observador como são as expressões diferentes. A criança pode ser capaz de ver as expressões numa situação de vida real embora lhe seja muito difícil reconhecê-las num desenho.

Quando a criança tiver associado as cartas impressas com o contraste máximo, podem utilizar-se as imagens com 10% de contraste e mais tarde as imagens com 2.5% de contraste, em situação de jogo.

O jogo EXPRESSÕES da HEIDI contém cartas com 100%, 10% e 2.5% de contraste.

Se a criança conseguir associar as figuras de maior contraste, mas não as de 10% ou 2.5%, a sensibilidade ao contraste necessita ser medida e o campo visual central examinado, se a idade da criança o permitir. É também aconselhável discutir com a criança a estrutura da imagem: se existem deturpações de linhas ou manchas na imagem (escotomas).

Se a criança só consegue ver as expressões com 100% de contraste, devem analisar-se todos os materiais de teste. Os materiais regulares de teste podem ser muito difíceis para a criança ver e podem dar uma impressão errada das suas capacidades cognitivas. Os materiais de testes psicológicos e de leitura podem precisar de ser aumentados ou ser impressos com maior contraste. Por vezes pode ser necessário utilizar um dispositivo de leitura num circuito fechado de TV.

Combinando a informação obtida em diferentes situações de jogo, aprendemos muito acerca da capacidade da criança para ver e interpretar características faciais e expressões. Então podemos apoiar a sua aprendizagem nesta área, que é central nas interacções sociais de todos os dias.

Se se descobrir que a criança não reconhece caras e/ou expressões faciais nestas cartas a preto e branco, o teste é continuado utilizando fotografias a cores e situações da vida real. Todas as crianças que têm desvios do comportamento normal na interacção com os amigos e membros da família necessitam uma avaliação minuciosa da visão para a comunicação. Num grupo, a criança pode necessitar de um intérprete/interveniente porque nesta situação ela pode ser funcionalmente cega, mesmo que funcione normalmente noutras tarefas visuais. A situação de jogo, sem ajuda, num grupo de crianças, pode nestes casos, ser tão traumática e confusa que a criança prefira retirar-se, podendo ser diagnosticada como tendo “comportamentos autistas”.

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