Testes de acuidade visual

Os testes de acuidade visual são usados mais do que quaisquer outros testes em Oftalmologia, optometria e no rastreio de visão, na saúde pré escolar, escolar e em saúde ocupacional. Assim é importante que os testes estejam padronizados e que sejam usados correctamente. No rastreio visual é possível obter ganhos significativos juntando um teste de visão de perto como teste adicional.

A acuidade visual pode ser medida com diferentes tipos de testes que avaliam parâmetros diferentes da função visual. O teste básico é o teste em linha que tem pelo menos cinco optotipos (símbolos) em cada linha, devendo o espaço entre os optotipos ser igual à largura dos optotipos da linha considerada. A distância entre as linhas é igual a metade da altura da linha mais baixa. (Standard de Avaliação da acuidade visual (1984) Consilium Ophthalmologicum Universale. Comissão para a Função Visual)

Apesar da recomendação internacional estar publicada há mais de dez anos e ser bem conhecida nos anos 70 (originalmente descrito por Green em 1868) as suas recomendações nem sempre são respeitadas no desenho dos testes de acuidade visual.

Nas séries de testes LEA há testes em linha, testes agrupados e testes simples que permitem a avaliação da função visual nestas três situações funcionalmente diferentes. O número de testes aumentou nos últimos anos pela necessidade de permitir o rastreio e a avaliação de crianças e adultos em diferentes idades e em níveis funcionais diversos.

Mesmo quando os testes estão padronizados existem ainda outros factores difíceis de controlar. O nível de iluminação é uma das variáveis importantes. Se se utiliza a iluminação normal da sala a luminância ao nível da superfície do teste vertical é mais baixo do que o recomendado, 85 candelas por metro quadrado ou mais. Nos anos 70 este problema foi resolvido em grandes estudos multicêntricos usando testes iluminados em caixas iluminadas padronizadas. Esta caixa iluminada ETDRS tornou-se um standard em todo o mundo. Por ser grande e pesada e por isso difícil de manejar foram construídas depois caixas mais leves e mais pequenas.

Mesmo quando os testes, as situações de teste e de iluminação estão padronizadas existe ainda uma variável que resiste á padronização – o examinador. Cada examinador tem o seu/sua maneira pessoal de falar com a criança, aguardar a resposta, e de a estimular.

Assim os valores de acuidade medidos por duas pessoas, mesmo bem treinadas e motivadas para aplicar o teste podem variar. Este facto tem que ser levado em conta quando se comparam valores de diferentes séries de testes. Existem também variações no envolvimento cultural da criança, na motivação e nas capacidades intelectuais. Quando se comparam os resultados de diferentes testes de acuidade visual os valores devem preferencialmente ser medidos pelo menos duas vezes para que as variáveis não controláveis se atenuem.


LEA SYMBOLS TESTS

Nos adultos em geral avalia-se primeiro a visão ao longe e depois a visão ao perto. É também costume testar primeiro cada olho separadamente e depois em binocular. Nas crianças obtém-se melhores resultados começando com a visão de perto antes de avaliar distâncias maiores. Isto permite á criança familiarizar-se com o processo de avaliação e com os símbolos e permite ao examinador avaliar o que pode esperar da criança. Quando se examina uma criança é importante que o exame seja apresentado como um jogo. Teste primeiro em binocular e depois em monocular.

Comunicação

Antes de iniciar o exame tem que se estabelecer um método de comunicação tal como nomear ou combinar.

Se a criança não nomeia o símbolo espontaneamente pergunte “como vamos chamar este desenho? Maçã? Casa? Garagem? Janela? Ou caixa? Bola ou anel?

A criança pode decidir os nomes dos símbolos brincando com o Lea Puzzle 3-D (#251600), as Cartas Flash (#251800), ou o Cartão Chave Resposta (#251700). Deixe a criança escolher os nomes que quer usar. A criança pode mudar os nomes durante a avaliação. Por exemplo se chamou casa ao símbolo maior, ao mais pequeno pode chamar casota do cão e a “maçã” pode tornar-se “cereja” por ex. Se uma criança multideficiente não puder apontar para o símbolo ou selecioná-lo com a mão ou o pé, arranje as Cartas Flash ou as peças do Puzzle de maneira a ficarem afastadas possibilitando que a criança as possa apontar com o olhar, se os movimentos oculares voluntários forem suficientemente precisos ou com os movimentos da cabeça.

Nível de luminância

O nível de luminância deve ficar acima das 85 candelas por metro quadrado. Este valor é difícil de obter numa sala normal porque o teste é vertical e não reflecte muita da luz do tecto. A caixa pequena iluminada dos testes 9’’x14’’ tem um nível de luminância de 120cd/m2. Para a avaliação da acuidade de perto o nível de luminância geralmente é aceitável porque o teste fica inclinado de modo a que fica perpendicular à linha do olhar da criança.

Definição da Acuidade Visual Limiar

De acordo com o standard de avaliação da acuidade visual “considera-se que uma linha de optotipos foi lida correctamente quando mais de 50% (3 em 5, 4 em 6) dos optotipos apresentados foram lidos correctamente”.

Aspectos particulares

Comece por medir a acuidade em visão binocular para perto. A avaliação para longe e em monocular segue-se naturalmente depois de obter a confiança da criança. Quando avaliar em monocular avalie primeiro o olho direito (OD) e depois o esquerdo (OE), a não ser que haja uma recusa evidente na oclusão do olhe esquerdo.

Para facilitar a vigilância e quando reeduca uma ambliopia deve utilizar –1, -2 e +1, +2 para pôr em evidência pequenas alterações. Por ex. “0,63 (+1) indica que a criança viu todos os símbolos da linha e que ainda conseguiu dizer correctamente um símbolo da linha seguinte (0,8).

Uma vez que estes testes são muito usados no rastreio da ambliopia é importante lembrar que saltar símbolos é uma característica típica dos olhos ambliopes. Mesmo uma diferença menor do que duas linhas entre os dois olhos já é um sinal importante. Se se der conta que a criança tem dificuldades motoras, tal como saltar símbolos, o examinador deve estar alerta para o facto de que a criança possa ter o começo de uma ambliopia moderada ou uma lesão cerebral não diagnosticada.

Os testes de acuidade visual estão entre os testes usados mais baratos. Porém em muitos locais mantém-se em utilização sem serem substituídos há mais de 10 ou 15 anos. Os testes estão velhos, acastanhados e sujos, não tendo já as características de um bom contraste. É importante ter cuidado com as escalas, não as deixando ao sol e limpando-as com um detergente suave. Tenha cuidado para que as crianças não as risquem. Nunca use uma caneta para apontar os optotipos quando estiver a examinar uma criança que não consiga fixar sem apontar. Use uma vareta de madeira. Os testes de baixo contraste precisam de especial cuidado e devem ser mantidos cobertos.

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